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(Fotos:
Letícia Gonzáles / ipcdigital.com | Foto: Kyodo News)
Há
duas semanas, Tóquio viu, ouviu e respirou moda. Além da
apresentação das coleções outono/inverno da
sexta edição da Japan Fashion Week (JFW), o centro da capital
pipocou de eventos que deixaram fashionistas e compradores ocupados. Foram
mais de dez mostras paralelas de designers e profissionais do ramo. O
Brasil não poderia ficar de fora e trouxe suas cores e rendas para
o Omotesando Hills, no segundo ano do Brasil Fashion Now.
O evento trouxe
23 marcas de roupas e acessórios femininos. Consagradas ou em ascensão
no Brasil, todas estão, no entanto, famintas e são recém-chegadas
ao Japão.
Confirmando
a imagem alegre que o País desperta mundo afora, as coleções
apresentadas esbanjaram cores, estampas e bordados. Trabalhos à
mão, com destaque para os tricôs, também foram ponto
importante da mostra. Na coleção de inverno passada,
trouxe muitas peças cinza e não funcionou, disse a
estilista Érika Ikezili. Aprendi que, quando o comprador
gosta de colorido no verão, quer continuar com o mesmo perfil no
inverno.
Assim como
as roupas de Érika, as peças das marcas Anunciação,
Apoena e Cecília Prado apostaram em misturas de estampas e motivos
de pássaros e flores. No caso da Apoena, o contato com o público
japonês serviu para mostrar mais que os desenhos de Kátia
Ferreira. É que, por trás dos vestidos da grife, está
o trabalho de 600 costureiras e bordadeiras do Distrito Federal. Com três
anos de existência, a marca já se apresentou na feira Prêtà-Porter
de Paris e, hoje, consegue escoar uma produção de 2 mil
peças por mês em lojas brasileiras.
Uma das poucas
repetidas da mostra, a marca de calçados Louloux voltou com dois
modelos exclusivos para os japoneses. Assinados pelo designer gaúcho
Cristiano Bronzatto, os sapatos têm desenhos imaginativos no qual
imperam aplicações, tons metálicos e, de novo, muita
mescla de cores. Somos uma marca que corre riscos, que não
segue tendências, nem tenta agradar, afirmou Caio Bronzatto,
que largou a carreira de advogado para apostar no planejamento comercial
da marca do irmão. Além do Japão, a Louloux chega
ao mercado nova-iorquino com a abertura de uma loja no Lower East Side
em maio.
No quesito
acessórios, Dania Reiter mostrou seu conceito de bolsa-jóia
e aproveitou o gosto nipônico por couros. A marca explora peles
de peixe, ema, jibóia e jacaré tudo com o respaldo
do Ibama. No catálogo, bolsas com incrustações de
madre-pérolas e cristais Swarovski aparecem ao lado de peças
feitas inteiramente em prata. O alvo são consumidores de alto escalão,
como os que já compram os produtos da grife no Oriente Médio
e nos Estados Unidos.
O Brasil Fashion
Now buscou nomes novos para trazer ao Japão, mesmo que alguns presentes
já sejam conhecidos em outros países. É o caso de
Carlos Miele, cujos vestidos longos são vendidos em lojas de departamento
nos Estados Unidos. Da última coleção, vieram a Tóquio
as peças com degradê e os tricôs feitos à mão
(com o trabalho de moradoras da Rocinha). Como participamos de showrooms
em Nova York e Paris [onde a grife acaba de fechar um contrato de venda],
decidimos trazer aquilo que atraiu os compradores japoneses lá,
explicou Fernanda Parlato, coordenadora de vendas da marca.
A Japan Fashion
Week (JFW) deste ano fez uma grande aposta nas novas marcas. Enquanto
nomes consagrados, como Kenzo e Issey Miyake, preferem apresentar suas
coleções nas semanas da moda de Paris e Milão, a
abertura da JFW para novatos permitiu que jovens que, nos últimos
tempos, estudaram nas escolas de moda da Europa participassem do evento.
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